Crítica: Dunkirk

Há algumas semanas uma amiga pediu sugestões de filmes de guerra. Que pergunta difícil! São tantos filmes sobre tantas guerras diferentes… Mas a Segunda Guerra Mundial continua sendo campeã em número de filmes, sem sombra de dúvidas. Todos os anos há vários envolvendo esta guerra, cada um com um foco diferente.

Apesar de abundantes, poucos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial concentram-se exclusivamente em um episódio. Dunkirk, de Christopher Nolan, portanto, já é diferente desde a premissa: mostrar o resgate do exército britânico na praia de Dunkirk (França), após ser encurralado pelos alemães. Mais de 300.000 homens estavam na praia à espera de reforços. Foi então que civis britânicos cruzaram o Canal da Mancha em pequenos barcos privados para ajudar na evacuação.

Não é a primeira vez que este resgate é retratado no cinema. Uma das cenas mais memoráveis sobre este tópico está no filme Desejo e Reparação. Há uma cena de 5 minutos, filmada sem cortes, em que podemos ver os milhares de soldados à espera do resgate. Ela mostra soldados cantando, outros apenas sentados esperando, cavalos sendo mortos, tudo acompanhado pela trilha sonora linda e delicada de Dario Marianelli.

Christopher Nolan, por sua vez, tem uma abordagem completamente diferente. A escolha de Hans Zimmer para a trilha sonora, por si só, já é o suficiente para sabermos que a tensão será o tema predominante da história. Zimmer é famoso por suas composições fortes, que fazem com que o espectador se sinta dentro do filme, vivenciando o que se passa na tela.

Outro elemento que difere Nolan da maioria dos cineastas atuais: as linhas temporais que usa para contar a história. Amnésia é um clássico exemplo de inversão de linha temporal que faz com que o filme se torne muito mais interessante. Em Dunkirk, Nolan opta por estabelecer, logo no início, três tinhas temporais distintas: 1) uma semana, referente ao tempo de espera dos soldados na praia, 2) um dia, período que um civil (Mark Rylance) levou para ir de barco da Inglaterra à França auxiliar no resgate, e 3) uma hora, focando em um piloto de caça.

Temos, portanto, terra, água e mar sendo mostrados, cada qual com sua particularidade e seu tempo. O que o Christopher Nolan resolve fazer? Intercalar as histórias como se estivessem acontecendo ao mesmo tempo! Pode não parecer muito eficiente, mas esta superposição aumenta a tensão e a ansiedade, pois o público vê os conflitos quase simultaneamente. E, como já mencionado, a trilha de Hans Zimmer, com tique-taque de relógio, aumenta a sensação de urgência.

Se esta montagem já é diferente, outro ponto que destaca este filme dos demais dos gênero é a ausência de vários elementos, tais como histórias pessoais dos personagens, conversas sobre estratégias de combate, bem como combates propriamente dito: os alemães não aparecem no filme. Tampouco há longas cenas de soldados sendo baleados. Ouve-se muito barulho de explosões, mas pouco aparece na tela.

Diálogos também são escassos durante o filme. Fica claro que Christopher Nolan se importou muito mais em transmitir sensações por meio de efeitos visuais e sonoros do que por qualquer espécie de conversa entre os personagens principais.

Além de Mark Rylance, estão no elenco Fionn Whitehead, Tom Hardy, Kenneth Branagh, Cillian Murphy e o cantor Harry Styles.

Dunkirk é um filme que, provavelmente, não agradará a todos, mas que certamente faz com que Christopher Nolan permaneça um dos melhores diretores da atualidade. Vale a pena ser visto!

 



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *