Crítica: The Handmaid’s Tale (1a Temporada)

Um país onde as mulheres não têm permissão para ler, trabalhar, ter contas bancárias ou até se vestir como quiserem. Elas são divididas em 4 grupos: 1) as esposas, vestidas de azul, 2) as “tias”, vestidas de verde, 3) Marthas, vestidas de marrom e 4) as aias, vestidas de vermelho. Estas são as principais classes sociais na República de Gilead, em um futuro distópico, como descrito no seriado The Handmaid’s Tale (Conto da Aia).

Baseado no romance homônimo de Margaret Atwood de 1985, The Handmaid’s Tale é, possivelmente, o seriado mais assustador deste ano. Não há zombis ou monstros de outro mundo, mas a opressão sistemática e a tortura sofrida pela maioria dos cidadãos é muito mais assustadora.

A República de Gilead costumava ser os Estados Unidos. É agora uma sociedade teocrática, governada por homens que usam a religião para justificar todos os seus atos. Além disso, devido a algum tipo de vírus, as mulheres não conseguem mais engravidar e, por este motivo, aquelas que conseguem são escravizadas e se tornam Aias. Claro que, em teoria, o problema reprodutivo poderia ser também dos homens, mas ela é rapidamente descartada nesta sociedade, com a culpa sempre recaindo sobre mulheres.

As Aias, portanto, são alocadas a uma família e perdem seus nomes de nascimento. Eles são agora uma propriedade, então recebem o nome do patriarca da família. Offred, por exemplo, é “Of Fred” (“do Fred” em português) e é interpretada brilhantemente por Elizabeth Moss. Nós seguimos sua história trágica e testemunhamos seu estupro mensal pelo Comandante (Joseph Fiennes), sendo maltratada por sua esposa (Yvonne Strahovski) e tendo todos os seus direitos mais básicos suprimidos.

As Aias só podem caminhar em pares nas ruas e são obrigadas a usar chapéus que parecem cones, para que não possam olhar diretamente para ninguém. A parceira de Offred é Ofglen (Alexis Bledel), uma “traidora de gênero”, como são chamados os homossexuais.

Cada episódio é mais intenso do que o anterior, mas eles são tão impactantes e tão bem produzidos que é impossível não continuar assistindo. As situações vividas pelos personagens são tão cruéis que não se pode deixar de sentir mal e um pouco deprimido ao final de cada episódio. As cenas de tortura, bem como todas as cenas que envolvem sangue são muito gráficas, com o vermelho em destaque na tela.

A fotografia de Colin Watkinson e os figurinos de Ane Crabtree são fundamentais para transmitir o senso de opressão e urgência ao público. Como já mencionado, é realmente impossível assistir a esse seriado sem sentir nada, especialmente indignação.

O elenco inteiro é absolutamente brilhante. Elizabeth Moss, mais recentemente em destaque por seu papel em Mad Men, é capaz de mostrar suas emoções tão sutilmente quando sua personagem está tentando fingir que está bem para sobreviver que é impossível não torcer por ela. Ann Dowd é perfeita como a implacável tia Lydia; igualmente boas são Yvonne Strahovski, como a estéril esposa, presa naquela triste realidade, e Alexis Bledel, como Ofglen, que tem uma das histórias mais dramáticas da série.

O sucesso foi tão grande que já The Handmaid’s Tale foi renovada por uma segunda temporada, apesar de não ter um segundo livro para tomar como base. Margaret Atwood ajudará com o roteiro da nova temporada.

Indicada para 11 categorias no Emmy de 2017, The Handmaid’s Tale é possivelmente o melhor seriado do ano e deve ser visto por todos, especialmente com a atual situação do mundo onde os direitos das mulheres são constantemente questionados.

Infelizmente, ainda não há previsão de estreia no Brasil. Nos EUA, a série está disponível pelo serviço de streaming Hulu.




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