Crítica: Moana – Um Mar de Aventuras (2016)

Se havia alguma dúvida de que a Disney se adaptaria à onda feminista recente e que atualizaria sua visão de heroínas, Moana: Um Mar de Aventuras chega para pôr fim ao debate. Durante os 103 minutos de filme, não vemos nenhuma menção a “amor verdadeiro”, tão recorrente em animações da Disney, sobretudo envolvendo princesas em busca de um príncipe.

Moana (Auli’i Cravalho na versão em inglês), segundo ela própria afirma durante o filme, não é uma princesa: é filha do chefe do povoado e lhe é designada a missão de seguir seus passos. Seu maior desejo, no entanto, é desbravar o oceano, personagem importante na trama, mas é constantemente impedida por seu pai por considerá-lo perigoso. Sua avó (Rachel House), por outro lado, a encoraja e a ajuda a descobrir sua verdadeira missão.

A fim de salvar seu povoado de um desastre, Moana deve encontrar Maui (Dwayne Johnson na versão em inglês), um semideus com poderes de se transformar nos mais diversos animais. Em momento algum há qualquer indício de que possa haver outra relação entre eles que não seja de amizade.

Dirigido por Ron Clements e John Musker, também responsáveis pro A Pequena SereiaAladinHércules, entre outros, Moana é a confirmação de que a Disney é extremamente capaz de produzir histórias relevantes e interessantes a todas as idades, incluindo humor e músicas divertidas.

A trilha sonora ficou a cargo de Opetaia Foa’i, nativo da região da Polinésia, onde a história se passa, Mark Mancina e de Lin-Manuel Miranda, ganhador de inúmeros prêmios no último ano graças ao enorme sucesso do musical Hamilton. As canções se encaixam bem na trama, com destaque para We Know The Way e You’re Welcome.

Há, claro, alguns pequenos problemas, na minha opinião. O que mais me incomodou, especialmente no início, foi a enorme semelhança com Pocahontas. Não que eu não goste desta animação – ao contrário: assisti ao filme inúmeras vezes. Talvez por isto tenha ficado com a sensação de que já tinha visto Moana antes: algumas cenas dela com o pai (principalmente quando discutem) e a relação dela com a avó são claros paralelos com Pocahontas.

Outra sensação de deja vu que tive foi com a música “Shiny”, cantada por Jemaine Clement, que me lembrou muito de “Nigel’s Song”, também cantada por ele, da animação Rio. Mas talvez esta seja apenas uma sensação minha, não compartilhada por todos.

Enfim, posso dizer que Moana: Um Mar de Aventuras me surpreendeu positivamente e que mantém a Disney como melhor estúdio de animação para contar histórias de heroínas (mas Zootopia, do início do ano, ainda é melhor!). Ah! E fiquem após os créditos finais!



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